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Nossa Marca

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Academia Afogadense de Letras - AAL

NOSSO PATRONO: MANOEL ARÃO

BIOGRAFIA:
O jornalista, escritor, poeta, orador e romancista Manoel Arão de Oliveira Campos, filho de José Matheus Coimbra de Campos e de Francisca Joaquina de Oliveira Campos, nasceu na cidade de Afogados da Ingazeira, sertão do Pajeú, estado de Pernambuco, no dia 11 de janeiro. Há controvérsia quanto ao ano do seu nascimento: o dicionarista Raimundo Menezes indica 1876; na lápide mortuária no Cemitério de Santo Amaro, no Recife, registra-se 1875; no Almanak Literário Pernambucano de 1910 e no artigo da Profª Germana Maria Araújo Sales, Ficção Brasileira, consta o ano de 1873; e na Loja Maçônica Cavaleiros da Cruz, o ano de 1874. Aliás, a controvérsia se estende ao seu estado civil: no Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano consta que era solteiro, embora no livro Velhos e grandes sertanejos, de Luís Wilson, a informação é de que era casado com D. Palmira de Oliveira Campos.Desde cedo, demonstrou ter aptidões literárias quando criou, aos quatorze anos, o jornalzinho A Pátria. Sua trajetória como escritor começou a se fortalecer quando Manoel Arão saiu de sua cidade natal e fixou residência no Recife: estudou na Faculdade de Direito, se integrou nas atividades culturais, conheceu muitos intelectuais e participou da produção literária da cidade.Trabalhou no Diario de Pernambuco, onde foi redator no período de 1893-1901, e, durante estes e nos anos seguintes, fundou e colaborou com vários periódicos da época: A Vanguarda; Jornal do Domingo (suplemento literário do Diario de Pernambuco); O Binóculo; A Lanterna Mágica; Gazeta da Tarde; Jornal do Recife, A Província, O Mattia; o jornal Arquivo Maçônico, no início do século XX; e dirigiu a gazeta diária Commercio do Recife, quando deixou o Diario.Paralelo às suas atividades de escritor desempenhou trabalho burocrático como funcionário da Great Western e ligou-se aos grupos maçônicos. Foi iniciado na Loja Maçônica Cavaleiros da Cruz, em 24 de junho de 1904, sendo o patrono da cadeira nº 13da Academia Maçônica de Letras de Olinda. Também exerceu os cargos de secretário e presidente da Academia Pernambucana de Letras, onde foi eleito em 22 de fevereiro de 1909, e tomou posse no dia 27 de janeiro de 1910 para ser o segundo ocupante da cadeira nº 2, cujo patrono é o Frei Antonio da Santa Maria Jaboatão.É autor de vários trabalhos publicados entre os quais:Notas Pessimistas (1894); Íntimos (versos, 1898); Adúltera (romance, e drama em três atos, 1898). Peça representada no Teatro Santa Isabel por uma sociedade de amadores; Magda (romance, 1898). O Drama do Ódio (1900, em três atos), encenada em Palmares num teatro particular, em 19 de fevereiro de 1900, pela Companhia Moreira de Vasconcellos; duas vezes no Teatro Santa Isabel; e em vários locais do interior e de outros Estados; Impressões da praia (novela publicada no Diario de Pernambuco);A Maçonaria e sua missão social (1907)Transfiguração (1908, romance que provocou a sua eleição como presidente da Academia Pernambucana de Letras);Claustro (romance, 1913);A legenda e a história da maçonaria (1914); Liturgia maçônica (1915);A separação entre a Igreja e o Estado (1915);Fetichismo, monoteísmo e politeísmo (1915);O problema do ensino (1917)Visão de estética (ensaio, 1917)Os Quilombos dos Palmares (1922)História da Maçonaria no Brasil (1927)Manoel Arão faleceu no dia 14 de janeiro de 1930.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Os membros da Acadamia Afogadense de Letras - AAL, desejam um FELIZ NATAL e um ano novo cheio de paz, prosperidade e muita leitura. Que 2009 supere as conquistas alcançadas em 2008.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

AINDA TE ESPERO

Olhando os pingos da chuva
Que caia suavemente
Pensei em você.
Senti que o vento calmo
Trazia o seu cheiro.
Vi que a sua forma desligada
Com os pingos a cair serenamente
Encantava ainda mais a natureza
E senti uma saudade imensa
Ao lembrar de sua doçura.
Vi em cada pingo que caía,
A esperança revigorar dentro de mim,
De um dia você voltar,
Você meu grande e único
Amor!

Autora: Cândida Nunes

O PAJEÚ PEDE SOCORRO

RIO PAJEÚ ESTÁS MORRENDO
SEM VIDA E SEM PROTEÇÃO
E NA PODREDÃO ADOECENDO
COM LIXO, ESGOTO E POLUIÇÃO.

Ó RIO, CADÊ TUA BELEZA
QUE DEUS UM DIA TE DEU?
Ó MEU PAJEÚ, QUE TRISTEZA...
ELA, NA SUJEIRA, SE PERDEU!

FOSTE NOSSO ORGULHO, OUTRORA.
QUANTO LUCRO E PRAZER JÁ DESTE...
EM QUE TRISTE ESTADO ESTÁS AGORA
E QUÃO DESPREZADO ENTRISTECE.

Ó RIO! QUISERA AMANHÃ DAR-TE VIDA
VER-TE SÃO E FÉRTIL, ALEGRANDO TEU POVO
COM POÇOS, PEIXES, CANAIS E AVENIDA
REGANDO TUAS MARGENS, LINDO DE NOVO.

TU ÉS O ÚNICO RIO TEIMOSO
O QUAL DEUS FEZ DIFERENTE
TE TORNASTE UM RIO FAMOSO
CORRENDO DO NASCENTE AO POENTE.


Verônica Souto
Do Livro:PRIMEIRA ANTOLOGIA

A VAIDADE É CRUEL

Certo dia, um irmão meu,
Mestre da Maçonaria,
Cunhou uma afirmação,
Com muita sabedoria,
Que ficou na minha mente
E volta constantemente,
Sendo de grande valia.

Ali, o irmão dizia
Que, é impressionante
Como nos endividamos!
E como é interessante:
Os que têm consciência,
Que primam pela decência
Com rótulo de ignorante.

O que se vê todo instante,
Na conjuntura atual,
É gente dando calote,
Achando isso normal
E a juventude vaidosa
Na propaganda enganosa
Da mentira social.

Os donos do Capital
Fomentando a ilusão
Do consumismo perverso
Que traz a destruição.
E a vaidade cruel
Ilustrando seu painel
De dor e corrupção.

As pessoas querem ser
Como atores de novela.
Acham que é possível ter
Tudo que se vê na tela.
E aí, se tornam banais,
Enquanto, cada vez mais,
O mundo se desmantela.

Mas tudo deixa sequela,
É só esperar pra ver.
Aliás, é previsível
O que vai acontecer:
Se não mudarmos o curso
E ajustarmos o discurso,
O mundo vai se perder.

O que é preciso fazer,
Em tese, todos sabemos:
Gastar menos, reciclar
O ambiente em que vivemos.
E fugir da vaidade
Pois, nossa necessidade
É do tanto do que temos.

Quando a pessoa tem menos,
Acha que deve ter mais.
Quando tem muito, não sabe,
Com a riqueza, o que faz,
Mas quem tem pouco e tem Deus,
Atende a si e aos seus,
Sua fortuna é a paz.

Lembro que, tempos atrás,
O mundo era mais saudável,
A cultura, mais sadia,
O povo, mais responsável.
E, como a bíblia declara,
Educava-se "com a vara",
Banindo o inaceitável.

Claro, não sou favorável
À tortura e ao regresso,
Mas onde não houver ORDEM,
Tampouco haverá PROGRESSO.
Estimo a evolução,
Mas, sem esculhambação,
Pois, assim, é RETROCESSO.

A vaidade não leva
A lugar nenhum, amigo.
Tenho refletido nisso
E, portanto, é que te digo:
Quem faz tesouro na terra,
Diz a bíblia que só erra
E esse é nosso erro antigo.

Eu sei que nem sempre sigo
O que de bom aprendi
Com meus avós e padrinhos,
Quando a seu lado vivi.
Mas a saudosa memória
Reporta sempre a história
Deles, que não esqueci.

Sei que do tema fugi,
Mas foi por necessidade.
Agora, lembro meus pais,
Que, com toda humildade,
Me educaram com fé,
Ensinando que o bom é
TRABALHO E HONESTIDADE.

Quando falo em vaidade,
Lembro que minha mãe diz
Que, quem não tem ambição
Vai viver muito e feliz.
Meu pai também dá exemplo
Pois, fez do trabalho o templo
Onde o homem é aprendiz.

O desabafo que fiz
Termina numa oração,
Pedindo ao pai soberano
Que estenda sua mão
Ante a todo que padece
De vaidade e estresse,
De maldade e ambição.

Fábio Luiz.´. (Professor, Escritor membro da AAL,
Músico, Cantor e Compositor Afogadense).

INTERROGAÇÕES

Que faremos com o osso
Que não vem matar a fome?
Que faremos com o almoço?
Daqueles que não tem fome?

Que faremos com a terra
Que não se dá por inteira?
Que faremos com a guerra
Neste país de poeira?

Que faremos com a bomba
Que temos em nossas mãos?
Que faremos com a cama
Que não tem o nosso irmão?

Que faremos com a fé
Que temos em nosso Deus?
Que faremos com o próximo
Neste mundo de ateus?

Que faremos com a esperança
Daqueles que não a têm?
Que diremos a Cristo
No dia que Ele vem?

(Autor: Celso Brandão)

AO RIO PAJEÚ II

Hoje sozinha quando passo triste
A observar meu rio Pajeú...
Morto, estendido em leito podre e sujo
Já desfolhados os pés de mulungú
As flores que te enfeitava as margens
Deram lugar a fúnebres urubus.

Tuas margens largas de areia branca
Onde as cacimbas cheias de águas puras
Tu ofertavas sem distinção de classes
Não separavas jamais as criaturas
Eras o berço de farturas tantas
Do musambê reinavas na brancura.

Rio sagrado hoje teus filhos choravam
Porque ficaram sós na orfandade
Teus peixes mortos tua fauna arrasada
No peito clama uma cruel saudade...
Teus assassinos jamais serão punidos
Do cárcere vil foram quebradas as grades.

De tuas margens férteis estrumosas
Quantas famílias delas sobreviviam
Hoje chorando recordam angustiadas
Sem mais perfumes das flores que nasciam
Tua mortalha de lama escurecida
De lixo horrível tuas margens cercadas.

Meu Pajeú lamento a tua morte
Belo e garbo jamais veremos
Porque os homens que te preservavam
Hoje te lançam terríveis venenos
Teu ventre úmido de cheiros horríveis
Eras gigante hoje és rio pequeno.

Afogados da Ingazeira – 16/09/02

Maria Vianey de L. Vandemarim
(D. Vanda)

MULHER CRISTÃ

Mulher sábia e prudente
Quem achará?
Amável e companheira
Tudo sabe compartilhar.

Nas lutas do cotidiano
Nos momentos mais difíceis
Está sempre bem humorada
E desconhece o impossível.

Vitoriosa em tudo
Esta grande mulher
Edifica sua casa
Pela graça e pela fé.

Do marido é companheira
Amiga muito fiel
As palavras de seus lábios
São como favos de mel.

Os filhos, ela educa
Nas palavras do senhor
E tudo procura fazer
Como expressão de amor.

Não importa o seu nome
Ou a sua profissão
Estas são as qualidades
De toda mulher cristã.

(Autora: Anilda Figueiredo)

AS CORES

Rosa – a cor da paixão.
Laranja – a cor da canção.
Vermelho – a cor do coração.
Azul – a cor da razão.
Amarelo – a cor da solidão.
Marrom – a cor da ilusão.
Preto – a cor da tensão.
Branco – a cor da ação.
Vinho – a cor da revelação.
Roxo – a cor da aflição.

Amana Freitas de Albuquerque

RÓTULO ( I )

Escrevemos poesia com beleza,
Com familiaridade na certeza
Que ao crepúsculo então, pois a afeição profunda
Não será um banco que abandonado afunda.
O amor não será um sentimento vedado,
Mas por canto em nosso íntimo, assim velado
Qual tecelã poética, com o ruído,
No esporte da “caça literária” vivido.
Poeta – não és um esqueleto humano
Revestido de músculos, tolo e profano,
És o que ao investigar o sonho mais remoto
Torna-te da paixão, então, o mais devoto.
Fazes declaração do que és, sem migalha,
Ao perseguir um desejo, que na batalha,
Da composição poética, faze-te amante
Entusiasmado em querer ser o mais brilhante.
Na dilatação da utopia, assim, retratas
Habitual espera da morte que aguardas,
Ao “imortalizar-te”, por versar, como renome
Deixando escrito, pois, teu pessoal pronome.
Se estás absolutamente só, oh, repara
Este árduo sofrer que não se separa
Desta fibra, vínculo que alguém lhe cobiça
E faz bater forte o coração que a alma Ática.
Ó poeta, tu que existe, sim, no presente,
Escreve ao apaixonado que fique contente,
Porque se a poesia é o teu suplício
Ela também é o teu mais amado ofício.
És o escritor que na alegria ou em triste ausência
Escreve o que pensa e o que sente, com freqüência.
Não inventei a poesia. Dêem-me as palavras
E eu, que nasci poeta, dar-vos-ei o poema
E mostrar-vos-ei então como é que se agrava
Bem dentro do artista que se transcreve, o esquema.

Maria Rita de Freitas Albuquerque

DEVANEIOS

O dia, em sua ânsia derradeira,
sorve um cálice de crepúsculo
e embriaga-se de noite...
Meu coração, qual pássaro fugidio,
pousa na sombra imprecisa,
do último girassol...
Eu, fuminho trivial, que a boca
da noite traga... Disperso-me entre
os periféricos arvoredos de meu bairro.
Para que a vida, inale-me,
antes de recolher-se...
Ah! quero amanhecer no casto riso
da criança... E na saudade,
de quem tem no coração,
impressões genuínas de
um PÔR DO SOL...

Maeli Honorato

ETICÉTERA BELO NOME

UM DIA DESSES EU FIQUEI APERREADO
A MINHA TIA RESOLVEU ME PROCURAR
PEDINDO AJUDA PROCURANDO UM BELO NOME
COM A LETRA "E" PRA SUA FILHA BATIZAR.

EU DISSE:EVA,ELA DISSE:EU JÁ TENHO.
FOI A PRIMEIRA FILHA MINHA QUE NASCEU.
EDIVONEIDE,EDMERE,EDINÉIA,EDILEUZA...
QUE BELEZA DE FILHAS QUE DEUS ME DEU...
ERIVONALDA,A ELVIRA,A ESTER,
ESMERALDA,TEM A EDNA;EITA QUE TANTA MULHER!

EVANGELINA,ESTEFÂNIA,EDILEIDE
EU TENHO ATÉ UMA ELENA SEM "H"
EU TENHO ELISA,MOÇA FORTE E FACEIRA
NAMORANDO O EDIMILSO,E,LOGO,LOGO VAI CASAR.

EU DISSE TIA,VOCÊ NÃO PENSOU DIREITO
COM TANTAS FILHAS,TODAS COM A LTRA "E"
COM TANTAS LETRAS QUE CONTÉM NO ALFABETO
PRA BATIZAR QUANTAS FILHAS QUE TIVER...

FICOU ZANGADA,PERGUNTOU POR MEU DIPLOMA
EU DISSE:TIA,ETICÉTERA FICA BEM.
ELA FALOU: ME DESCULPE Ó MEU FILHO
ETICÉTERA É UM BELO NOME,ETICÉTER EU NÃO TENHO

DA MINHA CASA,TODO DIA DE MANHÃ,
DE LONGE EU OUÇO MINHA TIA A GRITAR:
EDIVONEIDE,EDMERE,EDNÉIA,
EDILEUZA,EDUARDA,ETICÉTERA VENHAM CÁ...

Geneci Almeida,23/11/00

A SEMENTE

Quando o passado me vem à mente
Tal qual uma semente
Da árvore da saudade
Eu fico triste a chorar
Por não poder voltar
A fonte da minha felicidade.

E como ao passado não posso voltar
Devo alegre me conformar
E ao bondoso Deus, agradecer.
Por ter vencido da vida, a ilusão.
Saindo assim ileso, meu coração.
Aguardando feliz, o dia de morrer.

E a árvore da saudade, vou cortar
Pra não mais me perturbar
Neste meu evoluir
E tratarei de plantar a arvore da esperança
Para ver se assim, min’alma alcança
A felicidade no presente e no porvir.

Autor: Benedito Ferreira

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

ETERNAMENTE ACADEMIA

Na cidade de Afogados
Terra de alegria
Cheia de lugares encantados
E amantes da poesia
Nasceu uma linda flor
Carregada de amor
De nome Academia
Sobrenome Afogadense
De Letras, ela seria.

Lar de todos os poetas
E escritores da região
Ou pelo menos daqueles
A quem Deus deu inspiração
De Afogados da Ingazeira
Tornou-se um Oásis no Sertão
Levando as escolas cultura
Ensinando a arte da Literatura
Tornando o jovem cidadão.

Seus membros fundadores
Jamais serão esquecidos
Cada um repleto de valores
Aonde vão são reconhecidos
Nobres acadêmicos
Cheios de personalidade
Tentando melhorar uma sociedade
Através da sabedoria
Usando como arma
A arte da poesia.

A um convite do presidente
Resolvi participar
Fiquei muito contente
Pois, um sonho estou,
A realizar
Ser membro, quem diria?
Ainda me lembro daquele dia
Que os vi na minha frente
Serei poeta eternamente
E eternamente serei Academia...

Autor (Gilberlandio Francisco)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

CADE A MINHA NATUREZA?

O povo diz que é sábio
Mas muito tem destruído
Em nome de um progresso
Aos poucos tem poluído
O nosso querido rio
Onde era um verde macio
É hoje um deserto esquecido.

Cadê as minhas florestas?
Que não consigo mais ver
Onde estão as matas virgens?
Aonde eu ia me esconder
Lamento meu passado
Por ter sido assassinado
Aumentando o meu sofrer.

Onde está a cachoeira?
Com a bela correnteza
Universo dos peixinhos
Berço de amor e beleza
Não tem mais fauna, nem flora
A minha alma chora
Pela morte da natureza.

Não escuto mais os pássaros
Cantando nas manhãs
Cadê o gavião e arara?
Não sobraram nem as rãs
Mataram a rolinha e o jabuti
O fura-barreira e o juriti
O joão-de-barro e arribaçãs.

Cadê meu pé de aroeira?
De quando eu era menino
Hoje só vejo as queimadas
Aumentar meu desatino
A terra é um manto escuro
Selando o meu futuro
Condenando o meu destino.

Cadê as estreitas veredas?
Por onde meu avô andava
E as sombras das ingazeiras?
Onde meu pai descansava
Mergulhei na história
E guardarei na memória
Os caminhos que eu passava.

Não tem mais o manto verde
Cobrindo a minha terra
Nem vejo as minas d’águas
Descendo pela serra
O homem tem estragado
O nosso universo amado
Através da infinita guerra.

Mataram o pereiro e favela
Umburana, mororó e marmeleiro
Mandacaru, jurema e algaroba
Mulungú, angico e umbuzeiro
Baraúna, catingueira e aveloz
Está me faltando a voz
Pela morte do antigo juazeiro.

A fauna chora agonizando
Pelo homem, torturada
A flora se desespera
Pelo machado, desmatada
Não encontro um caminho
Hoje me acho sozinho
Perdido no meio do nada.

O povo se torna omisso
Usando a demagogia
Não dão chance de defesa
Ferindo a terra com rebeldia
Desmatando sem piedade
Onde era pra ser felicidade
É um ambiente de agonia.

Cadê os berços cristalinos?
Com os recursos naturais
E a caatinga de outrora?
Com as plantas medicinais
Curando qualquer ferida
Valorizando a vida
São coisas que não vejo mais.

A flor chora sem o colibri
Não tem mais preá no mato
As abelhas sem o néctar
Sofre o cachorro e o gato
Só existe o passado
Para apenas ser lembrado
Na imagem de um retrato.

Autor: Antonio dos Anjos (Viola) – 13 de outubro de 2008
Presidente da Academia Afogadense de Letras – AAL

O ALVORECER DA ÚLTIMA ERA

O tempo passa
O mundo gira
O sol nasce
E o vento sopra
A lua surgi no imenso
E negro céu estrelado
Povoado de inúmeras
Constelações
Enquanto isso
Homens e mulheres
Vivem suas vidas
Num minúsculo
Planeta azul
Mais raro e belo
Que qualquer cristal
Lapidado
Ou qualquer jóia
Deste universo
E é nesse pequeno grão
De areia estelar
Onde destinos são traçados
por cada um que ali vive
Um mundo governado
Pelo capitalismo egocêntrico
Que ao passar das gerações
Torna-se cada vez
Mais influente
Provocando o apodrecimento
Das almas daqueles
Consumidos pelo próprio poder
Pela própria ânsia do ter tudo
E de repente não ter nada
E assim a sombra do poder material
Torna o homem escravo
Do seu próprio sistema
Sem perceber que outrora
Fora livre para amar
E buscar no ser supremo
A razão do simples
Fato de existir
Entendo afinal
Que a que a maior riqueza
É poder enxergar
A verdadeira beleza
Que nem todos conseguem ver
Como o sorriso inocente
De uma criança
Observar o crepúsculo
E o raiar de um novo dia
Mas acima de tudo
É poder enxergar a luz
Da bondade
nos olhos de alguém que
Não perdeu a esperança
Pois o eclipse da maldade
Não irá sobrepujar
O alvorecer da ultima era

Autor (Gilberlandio Francisco - 10/06/2008)

A VERDADEIRA RIQUEZA

Desde os tempos de outrora
Que a riqueza foi sempre almejada
Quanto mais nos tempos de agora
Onde é cada vez mais desejada
Muitos perderam a vida
Buscando a riqueza perdida
Pensando terem achado
A verdadeira felicidade
Sem saber que na realidade
Nada foi encontrado

Por mais que se tenha dinheiro
Alguma coisa irá faltar
Se na terra for o primeiro
Dificilmente no céu será
Pois a riqueza material
No dia do juízo final
De nada irá servir
Pois o perdão não pode ser comprado
Muito menos subornado
E lá ninguém poderá mentir

O vazio no coração humano
Só Deus pode preencher
Se o homem deixar de ser mundano
E do seu próximo se compadecer
Pois a verdadeira riqueza
Nenhum homem pode ver
É chamado de amor
O dom de Deus que afugenta a dor
E nos ensina a viver

Nunca pode ser visto
Mas sempre esteve presente
No coração foi sentido
E na alma ficou eternamente
Sempre foi sofredor
Suportando o que for
Não desprezando ninguém
E se ele for verdadeiro
Nesse mundo não há dinheiro
Que possa comprar o amor de alguém

(Autor: Gilberlandio Francisco - 10/06/2008)

TEMPESTADE SENTIMENTAL

Quando tudo parece
Que vai dar errado
Quando choramos lágrimas
De um amor passado
Quando a vida perde a alegria
E sentimos a alma vazia
Há somente uma vontade
Entregar-se a solidão
Numa mistura de emoção
Amor, angústia e saudade.

Não percebemos a verdade
Tudo parece estar escuro
Quando na realidade
É apenas medo do futuro
Medo de que nossa vida
Seja eternamente sofrida
Medo de que o nosso grande amor
Parta nossa coração
Fazendo-nos perder a razão
E nos matando de dor.

Quando a vida é um tédio
E sentimos apenas insegurança
Quando o único remédio
É um fio de esperança
Quando o fim parece o começo
E começo parece fim
Resta somente a fé
No nosso Pai Celestial
Pois todo aquele que é mortal
Sem Ele nada é.

Sentimentos que vão e vem
Deixando-nos sem reação
Como se fosse um chamado do além
Deixando a mente com depressão
Mas suicídio não é solução
É morte e condenação
Sinta o perfume de uma flor
E encontre a felicidade real
Vamos abandonar essa
Tempestade sentimental
E viver apenas o amor.

(Autor: Gilberlândio Francisco)

I ENCONTRO DE LITERATURA DO PAJEÚ.

AFOGADOS DA INGAZEIRA FOI PALCO DO I ENCONTRO DE LITERATURA DO PAJEÚ.

No último dia de 30 de agosto de 2009, no auditório da Ceralpa, centro de Afogados da Ingazeira, aconteceu o 1º Encontro de Literatura do Pajeú, coordenado pela Academia Afogadense de Letras – AAL em parceria com a UBE – União Brasileira dos Escritores – Seção Pernambuco e participação efetiva da Academia Pernambucana de Letras, Academia Serra-Talhadense de Letras, Associação dos Poetas e Prosadores de Tabira e os Grupos Literários de Triunfo e São José do Egito. Agradecemos aos nossos colaboradores: Prefeitura Municipal de Afogados da Ingazeira, Promotor de Justiça Lúcio Luiz de Almeida Neto, Rádio Pajeú – AM, Restaurante o Visual, STR de Afogados da Ingazeira, Diaconia, Ceralpa e os vereadores Renon de Nino e Joana D’arc. Foi uma verdadeira noite de gala para a Região do Pajeú, principalmente para Afogados da Ingazeira que no ano do seu Centenário recebeu mais uma homenagem, com este encontro literário. É uma pena que alguns intelectuais da nossa cidade não queiram reconhecer o bom trabalho da Academia Afogadense de Letras, mas não conseguiram apagar o brilhantismo desta memorável noite, uma marco histórico para Afogados da Ingazeira, entrando definitivamente na cultura pernambucana, porque não dizer, brasileira se assim continuarmos a trabalhar. Houve palestras, lançamentos de livros, recital de poesias e a posse da nova Diretoria da Academia Afogadense de Letras. Mesmo alguns poetas/escritores afogadenses não aderirem a idéia de que aqui existe uma Academia de Letras, estamos sempre de portas abertas para futuros candidatos a Imortalidade Acadêmica. Porém antes de descermos do patamar do orgulho e vaidade em que se encontram, tenham na mente que é através da humildade e seriedade que nos tornamos grandes.

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